arquivo | dezembro, 2012

Ponto de Partida

Finalmente uma versão em Português:

Quando comecei a escrever Berimbaudrum (um blog sobre World Music com uma perspectiva Brasileira), não me passava pela cabeça  que eu acabaria desenvolvendo uma versão em Português. Eu digo versão porque uma tradução fiel ao original não faria  sentido para a audiência Brasileira. Afinal de contas, os artistas Brasileiros  sobre quem  tenho escrito aqui não precisam de apresentações na nossa terra Tupi. Devo também acrescentar que as diferenças culturais acabariam fazendo com que muitas das idéias se perdessem na tradução.

Confesso que a demora da versão Brasileira do Berimbaudrum se deve a insegurança com a minha própria  língua-mãe. Tanto tempo escrevendo em Inglês, acabou enferrujando o meu Português. Enquanto a falta de circunflexos e agudos podem ser desculpados pela falta dos mesmos no meu teclado, deixarei as correções gramáticais e ortográficas para os pedantes da linguagem, que sei que são muitos. Apesar de temer que os meus erros gramaticais serem expostos publicamente, estas mesmas pessoas a qual chamo de pedantes, são muito bem vindas. Afinal de contas, será através delas que saberei que o meu trabalho esta sendo lido. Mas gostaria de que mais do que lido, que seja entendido, discutido e transformado enquanto aprendo mais com vocês.

Mas afinal de contas, o que e World Music?

“World Music” é uma expressão tão equívocada. Afinal de contas  o que é “música do mundo” quando qualquer música pode ser considerada  “Música do Mundo”? A partir da perspectiva de grandes gravadoras baseadas nos Estados Unidos e Reino Unido, “World Music” é tudo o que não é Americano ou Britânico, confirmando assim a  perspectiva eurocentrica. É mais um sinônimo de “exótico”, música que se toca em um café da moda em Londres, Paris, São Francisco ou Nova York. Mas, quando estes mesmos sons, também considerados tradicionais ou folclóricos se misturam com a música altamente comercial, nos perguntamos se a “Música do Mundo” está se espalhando ou se diluindo. Esta mesma pergunta revela a minha própria agenda pessoal: promover a música do meu país de origem. Eu vim do Brasil, um lugar bem conhecido por sua rica musicalidade. No entanto, como um número de Brasileiros da minha geração, eu cresci ouvindo mais músicas Inglesas e Americanas do que Brasileiras. Como é que isso veio a acontecer, é algo que eu gostaria de explicar mais tarde, apesar de que acho que isto não seria necessário para uma audiência Brasileira.

Não foi até quando cheguei a Universidade, para estudar Jornalismo,  que eu comecei a prestar mais atenção e aprendi a apreciar a música Brasileira. Entre o público universitário, havia um interesse forte pela nossa música, não só pelas canções tradicionais como também as sons originais. As Universidades Brasileiras dos anos 80 e 90 se tornaram um oásis para músicos independentes. Uma vez que eu me mudei para a Inglaterra, fiquei surpresa ao descobrir que a maioria das músicas Brasileiras no exterior já tinham mais de 30 anos. Meus novos amigos se surpreendiam quando eu os introduzia ao rock brasileiro. Muitas vezes, seus comentários, seguidos de uma pausa em que pareciam estar escolhendo cuidadosamente as palavras certas para dizer, eram: “Parece bastante moderno”. Tais declarações surgiam como se musica Brasileira não pudesse ser moderna, como se moderno era um eufemismo para “civilizado”, “sofisticado” ou mesmo “de bom gosto”. Embora esta situação mudou um pouco, graças à Internet, o estereótipo dominante sobre a música Brasileira ainda é a de Carmen Miranda com uma tigela de frutas na cabeça, cantando e dançando em tamancos, enquanto uma banda toca maricas no fundo. Ao mesmo tempo, “Bossa Nova” é reduzida  a canção “Garota de Ipanema”. Muito mais preocupante é quando perguntamos a alguns Norte-americanos e Britânicos, que música vem à  mente quando se fala sobre o Brasil e eles costumam dizer é “Copacabana”, de Barry Manillow, enquanto procuramos por um lugar para esconder antes que comecem a cantar a tal música com movimentos desengonçados.

Promover a música brasileira é apenas uma pequena parte da intenção do Berimbaudum. Eu não poderia ignorar a música do resto do mundo, onde sempre podemos encontrar semelhanças e inspiração. Senegal é um bom exemplo atual de música que esta se despontando mundialmente. Além do mais, a música Brasileira tem adotado todos os estilos musicais desde que viemos a nos entender como parte de uma nova nação. A partir da formação de nossa cultura, fomos influenciados pela música do mundo inteiro. Nós aceitamos o Rock-in-Roll (mesmo que nos tenha sido empurrado com cada gole de coca-cola), disco, techno-pop, hip-hop, Rap e misturamos tudo com os nossos próprios sons. Muitas vezes esta aceitação se expressou com um entusiasmo alienante. Outras vezes, apesar de uma certa relutância,  novos estilos híbridos surgiram da nossa estratégia de “se adaptar para sobreviver”.

Vale ressaltar que eu não tenho nenhuma intenção de criar um catálogo online sobre música do mundo. A National Geographic fez isso. Eu também não pretendo escrever sobre o que é o mais recente neste gênero. Publicações como “ The Guardian também  já fizeram isso. Nem é a minha intenção oferecer material de aprendizagem online. Coursera já tem oferecido um curso gratuito on-line chamado “Listening to World Music”. Berimbaudrum é apenas o meu “trabalho de amor” em que através de uma forma pessoal, espero surpreender, provocar e envolver você em discussões que não se limitam  a conversas sobre harmonia e escalas melodias, sem nos esquecermos de nos divertir ao longo do caminho. Afinal, esta é uma viagem – uma viagem boa, em que eu também procuro aprender mais e descobrir novas perspectivas que vão além da visão de uma Brasileira que vive no Reino Unido, ou de uma Britânica que nasceu no Brasil.

Sim, seria bom apenas limitar esta aventura em volta das qualidades estéticas das canções. Mas eu ficaria entediada muito rapidamente, e aposto que vocês também ficariam. Abordar os aspectos históricos, políticos, ambientais, tecnológicos e sociais que inspiram artistas é o que faz com que este tema seja tão interessante.

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Yours & Mine

Yours & Mine: Som retro com um toque moderno

Yours & Mine acaba de lançar seu debut álbum “Crying” . O trio indie-pop, baseado na Ilha of Wight, Sul da Inglaterra, foi formado em 2011, depois que Marc Dyer (vocais e guitarra) e Webber Nathan (bateria e backing vocals) se encontraram e decidiram tocar canções escritas por Marc. Mais tarde, eles anunciaram no Facebook que estavam procurando por um baixista. Jordam Simpkins respondeu ao anúncio. Os integrantes tomaram inspiração na letra na canção “Suite: Judy Blue Eyes”, de Crosby, Stills e Nash para dar nome a banda.

Yours & Mine mostra uma forte influência dos anos 50s/60s ao punk dos anos 70, incluindo artistas como Roy Orbison, Buddy Holly, The Byrds Small Faces, Rolling Stones, composicoes de Motown: Holland-Dozier-Holland,  Buzzcocks, The Clash e The Jam. Mas os  músicos acrescentam mais do que um toque moderno às suas músicas, com um estilo próprio de interpretação.

Links Oficiais

www.yoursandmineuk.com

www.facebook.com/yoursandmine

www.soundcloud.com/yoursandmineuk

Clube da Esquina

Clube da Esquina: 40 anos de música e poesia

Um dos movimentos  musicais mais poéticos do Brasil, se não o mais, completa 40 anos. O Clube da Esquina começou em 1963, quando Milton Nascimento conheceu os irmãos Lô Borges e Márcio Borges. Milton Nascimento, o mais famoso cantor e compositor de Minas Gerais, já era conhecido pelo publico com a sua voz afinadíssima e com uma qualidade quase hipnótica. Nascimento apresentou os irmãos Borges a Wagner Tiso e o resto de sua Banda. Outros músicos, como Tavinho Moura, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Beto Guedes, Flávio Venturini e 14Bis juntaram-se ao coletivo, durante o resto dos anos 60 e 70.

Em 1972, Milton Nascimento e Lô Borges lançaram o álbum “Clube da Esquina”, e é assim que o nome ficou gravado na História da Música Popular Brasileira. “Clube da Esquina” marcou um novo movimento musical cheio de renovação estética, melodia e fusão de ritmos tradicionais e originais. Suas influências foram diversas. Eles exploraram canções folclóricas e tradicionais, a Bossa Nova urbana, adicionaram toques de pop britânico e da psicodélia Californiana , como também se utilizaram de arranjos ousados ​​inspirados na obra dos Beatles. E tudo o que aconteceu durante um período muito difícil sob o olhar atento dos censores militares.  O primeiro álbum do Clube da Esquina  nos presenteou com canções como:

O Trem Azul

Cais

Cravo e Canela

Um Girassol da Cor de seus Cabelos

Paisagem na Janela

Huun Huur tu

O Canto Gutural dos Tuvans

O concerto do Huun Huur Tu começa com os sons suaves de cordas, imitando a cadência de cavalos a galope. Os mesmos sons são graciosamente decorados por outros sons que se assemelham a grãos de arroz caindo em um frasco de vidro. Neste momento, a mente se enche de memórias de um som melódico a tranquilo de um riachinho se aproximando o momento de se tornar um rio. Depois de uma breve pausa, ganhamos uma surpresa: cada um dos artistas começa a cantar um tom individual e prolongado. Cada uma de suas vozes podem ser ouvidas como uma camada. E, embora cada uma dessas camadas é única, elas interagem com um as outras. Da para imaginar uma conversa entre notas musicais

Se eu pudesse descrever estes sons como imagens e movimento, eles seriam como folhas de outono que caem ao vento como se dançassem. Se eu pudesse comparar a música Tuvan com a música clássica, eu a compararia a um quarteto de cordas tocando Canone Pachebel em D, onde os instrumentos parecem interagir numa conversa animada. Esta é a mesma interpretação que os Tuvans fazem ao ouvir o som do vento viajando entre as montanhas em que vivem. É como se os elementos estivessem conversando entre si. As vozes dos cantores são grossas e vêm direto de suas gargantas, numa dureza semelhante ao próprio ambiente natural.

O canto gutural dos Tuvans produz um contraste curioso. É algo que se assemelha a uma oração ou mantra OM emitido por um Yogi. Mas em vez de desaparecer vagarosamente enquanto esvazia o ar de seus pulmões, pára de repente e começa novamente com a próxima respiração. Enquanto a aspereza me faz lembrar de sons dos Didgeridoos dos Aborígenes Australianos, a nova cadência se assemelha a canções de índios americanos.

Este é o momento em que o tema da Musica Tuvan se torna claro. Nomadismo é um aspecto que Tuvans têm em comum em suas vidas com os índios americanos e os aborígenes australianos. Eles são móveis como o vento. O mesmo vento que é feito de ar, o mesmo ar, cuja pequenas moléculas se movem, colidem entre si, vibram e batem nos nossos tímpanos nos permitindo ouvir música. Música, tendo ar como seu principal componente, não existiria sem o movimento. É o movimento que traz vida a música: o movimento de músicos que viajam, que compartilham seus sons onde quer que vão e assimilam outros sons onde quer que parem.

Sobre os Tuvans

Graças ao trabalho do etnomusicólogo Theodore Levin na década de 1980, o mundo veio a conhecer a tradição de canto gutural dos Tuvans. Tuva é uma área localizada na Federação Russa, ao noroeste da Mongólia. Tuvans são pastores nômades que vivem em tendas e utilizam cavalos para se deslocar na regiões frias e rochosas das montanhas. Os mitos sobre as origens do canto gutural Tuvan estão intimamente ligados ao ambiente em que vivem. Acredita-se que há vários séculos, um indivíduo desconhecido, tentou imitar a ressonância do som do vento em um lago. Esta experiência se transformou em uma tradição que evoluiu ao longo do tempo, para incluir sons de pássaros e do vento passando por montanhas.

Em seu livro “Where Rivers and Mountains Sing: Sound, Music, and Nomadism in Tuva and Beyond”, escrito em 2006, Theodore Levin descreve suas experiências com música Tuvan. Ele inclui detalhes sobre como a música Tuvan reproduz os sons, as ações dos animais e do ambiente em que eles vivem.

Hélices de Sol

O grupo música Tuvan Huun Huur Tu foi formado em 1992. Huun Huur Tu se traduz como raios de sol ou hélices do sol. Seu primeiro álbum “Horses In My Herd” foi lançado em 1993.

Graveola

Graveola e o Lixo Polifonico

De lixo eles não tem nada! Graveola e o Lixo Polifônico  é uma banda formada pelo tipo de artistas que realmente gostam do que estão fazendo. Como tal, eles podem se dar ao luxo de ignorar qualquer estratégia batida de marketing concebida pela indústria da música. Para escrever sobre Graveola, eu passei um dia inteiro ouvindo suas músicas. No início, eu não conseguia ouvir qualquer diferença de qualquer outro samba. No entanto, cada cancao trazia uma surpresa com a originalidade da banda se desdobrando com elegância . Esta elegância  é natural e despojada de qualquer pretensão. Os músicos brincam com uma mistura de estilos: folk, rock, funk, blues e samba. A voz aveludada de José Luiz Braga é rara e nos faz lembrar dos cantores de radio da década de 50. Não tenho nenhuma dúvida de que  a maioria de vocês vão concordar que o seu canto é cativante.

Há alguns momentos em que Graveola nos faz lembrar da Tropicália, mas eles chegam com uma produção mais calma, afinal de contas, os tempos são outros. No entanto, assim como os músicos que revolucionaram a música brasileira durante o difícil período militar no Brasil, Graveola, e uma série de outros artistas, estão transformando o estado de Minas Gerais em uma nova cena da música brasileira.

Em Setembro de 2012, eles se apresentaram em Grécia, durante a Womex, uma das mais importantes feiras mundiais de música do mundo. Juntamente com outros músicos de talento igual, como Makely Ka, eles estão trazendo a atenção do mundo para a música de Minas Gerais .

Links Oficiais

http://www.graveola.com.br

http://www.maisumdiscos.com/graveola

http://itunes.apple.com/gb/album/farewell-ep/id568678973

http://www.myspace.com/graveolaeolixopolifonico

 

Titane e o Campo das Vertentes no Palacio das Artes

Titane e o Canto das Vertentes

Eu conheci a artista Titane  no final dos anos 80 durante um workshop de improvisação vocal na Fundação de Educação Artística em Belo Horizonte. A Fundação sempre foi muito mais do que uma escola de música. Se tornou um ponto de encontro criativo, onde os profissionais de música trabalham e aprendem ao lado de artistas em formação. Muitos dos músicos  estabelecidos de Minas Gerais já passaram pela Fundação de Educação Artística. Na época eu era uma menina de 15 anos brincando de aprender musica enquanto tentava descobrir o que eu queria ser quando crescer. Titane já era um cantora reconhecida que tinha acabado de lançar seu primeiro disco “Titane”. Como pessoa, ela me impressionou por sua calma, simpatia e paciência. Estas características mantiveram-se ao longo de sua carreira.

No início deste ano, Titane lançou um novo álbum inspirado nas influências culturais da África em Minas Gerais: “Titane e o Campo das Vertentes”. Com canções compostas por Sérgio Pererê, Makely Ka, Luiz Tatit, Beto Guedes, João Bosco e Aldir Blanc, Titane reúne uma coleção híbrida, misturando formas tradicionais de música com expressões mais contemporâneas.

“Titane e o Campo das Vertentes” acompanha um show com o mesmo nome, que reúne artistas profissionais e aspirantes no palco. Mais recentemente, foi lancado o DVD do show.

Links Oficiais

http://www.titane.com.br/

Ben Stubbs

Ben Stubbs: Novo Talento da Isle of Wight

Ben Stubbs, da Ilha de Wight (Sul da Inglaterra), é um talento promissor. O compositor, cantor e guitarrista de 22 anos de idade, tem um estilo maduro e seguro. Suas principais influências musicais são The Beatles, Jack Johnson, REM e Ed Sheeran. Mas Ben tem um gosto diversificado e não tem medo da inovação.

As letras que ele escreve  fluem com naturalidade e leveza. Vectis Radar, a revista de música independente do Sul da Inglaterra, prevê que Ben estará em breve tocando em um dos grandes festivais de verão da região como Wight Festival ou o Bestival.

Links Oficiais

http://facebook.com/benstubbsmusic

http://soundcloud.com/ben-stubbs/ben-stubbs-that-soul

Paulinho Pedra Azul por Ludmila Loureiro

Paulinho Pedra Azul: 30 Anos de Independencia

Paulinho Pedra Azul,  um dos músicos mais famosos de Minas Gerais, comemorou 30 anos como um artista independente em 2012. Sem o suporte de grandes gravadoras, Paulinho é um daqueles músicos abençoados com a oportunidade de trabalhar em todas as etapas de produção de sua própria obra. Ingles

Quando eu o conheci, eu era uma estudante do terceiro ano de Jornalismo e repórter estagiária na Rádio Alvorada em Belo Horizonte. Em 1991, juntamente com Mauricio Tizumba, Paulinho foi a grande estrela da nossas Caloradas. Minha colega Adriana Braga e eu estávamos no comando do painel de entrevista. Adriana, que é uma das melhores escritoras que já conheci, tinha uma consciência altamente artística e concentrou-se em questões relacionadas ao significado das letras das músicas de Paulinho. Enquanto isso, eu me ocupava em tentar ser irreverente. Como um truquezinho barato, peguei um pedaço de papel dobrado em muitas centenas de vezes fora de meu bolso. Tentando fazer um suspense, eu  o abri lentamente e estendi a folha amarrotada no ar. Aquele pedaço de papel, contia as perguntas que eu havia rabiscado uma hora antes. O outro lado do papel, que eu ainda não havia olhado, contia notas editoriais para gravações de noticias do dia anterior.

Paulinho, que estava sentado ao meu lado, tomou o papel da minha mão enquanto eu ainda estava lendo a primeira pergunta. Ele então se virou para o lado e leu em voz alta todos os rabiscos  que não eram relacionados. Foi uma atitude jovial e espontânea que  roubou o show e salvou a noite. Paulinho continuou fazendo piadas sobre a estação de rádio em  que eu estava trabalhando. Com seu jeito divertido, ele queixou-se que as  rádio comerciais só tocavam suas músicas quando ele estava lá para entrevistas ao vivo. Sem discutir o assunto, tomei a folha de papel de volta e a transformei numa bola, joguei-a  para o fundo do palco e disse: “Tudo bem, então, vamos improvisar!”.

Eu não me lembro de nenhuma das perguntas que fizemos para Paulinho, mas lembro-me de que a reação dos diferentes grupos no meio da multidão condizia com as carreiras que escolheram. Os estudantes de Propaganda, cheios do espírito anárquista, conseguiam fazer sentido do que não possuia sentido nenhum e riram com a gente. Meus colegas do curso de Jornalismo tiveram uma reação mista: alguns eram críticos e racionais, algumas já sabia o que esperar, alguns eram engajados com a informalidade e um numero deles riram de nós. Enquanto isso, os estudantes de Relações Públicas, mais ligados a protocolos rígidos de etiqueta,  franziram a testa . Eu sabia que, mais tarde, naquela noite, iria receber uma longa palestra de um deles sobre como garantir que o evento fosse realmente chato.  Mas, mesmo se eu tivesse tentado, não seria nunca possível ter um evento tedioso com Paulinho Pedra Azul. Com sua atitude descontraída e honestidade, ele mostrou um carisma natural que cativou a audiência.

Para o álbum comemorativo de seus 30 anos como músico, Paulinho assinou um contrato com a gravadora “Som Livre”. Dos 22 álbuns que ele produziu ao longo de sua carreira, 20 deles são completamente independentes.

A obra de Paulinho Pedra Azul é marcada por um tema comum: as relações humanas. Suas canções falam sobre a família, amigos próximos e suas percepções do mundo. Ele também canta sobre esperança, amor, saudade, sonhos e realizações. Tudo é feito de  forma direta e sem pretensões,  comunicando diretamente com o público.

Paulinho Pedra Azul  Sites Oficiais

http://myspace.com/paulinhopedraazul

http://talentosproducoes.com/paulinhopedraazul

Trem Tan Tan

Train Tan Tan


A banda “Trem Tan Tan” se originou a partir de um projeto de saúde mental, coordenado pelo músico Babilak Bah. Seus 8 membros (Rosilene Leandro, Olavo Rita, Edson Oliveira, Gilberto da Rocha, Mauro Camilo, Carlos Ferreira, Alexander Evangelho e Isaura da Cunha) estão comemorando uma década viajando neste trem com o lançamento do CD “Sambabibolado”.

A banda é formada por portadores de sofrimento mental do Centro de Convivência de Venda Nova, em Belo Horizonte, Minas Gerais, e surgiu a partir de uma oficina de percussão ministrada por Babilak Bah em 2001. O primeiro CD que gravaram, “Trem Tan-Tan”, contou com a participação de Roger Moore e Rita Medeiros.

Links Oficiais

http://www.myspace.com/tremtantan

Babilak Bah

Babilak Bah: Um Homem Inquieto

 

Babilak Bah é um artista que se traduz em inovação. O músico auto-didata, percussionista , compositor e poeta Paraibano, prefere se chamar de “propositor” do que compositor. Com o seu trabalho, ele propõe um modo diferente de inserir música e poesia dentro da consciência social. No álbum “O Enxádario: Orquestra de enxadas”, Babilak transforma a repetição do trabalho duro nas plantações numa batida cartática que mistura samba, jazz, funk e clássico. O resultado pode parecer uma bagunça de significados, mas a idéia produz um efeito interessante que inspira movimento e descoberta.

Biografia de Homens Inquietos

O seu novo álbum, “Biografia de Homens Inquietos”, acabou de ser lançado com trabalhos inéditos. Enquanto eu escrevia este artigo em Inglês, me preocupei em conseguir a tradução exata da palavra inquieto. Para isso, achei que o melhor seria perguntar ao próprio Babilak o que ele queria dizer com o título. Babilak explicou: “A Biografia de Homens inquietos é um trabalho autobiográfico, antropofágico e existencialista. Fala sobre as minhas próprias experiências, inquietude e a minha constante procura por renovação”.

Pergunte ao artista

Se você gostaria de saber mais sobre “Biografia de homens inquietos” ou “O Enxádario: Orquestra de Enxadas”, a oportunidade está aqui. Através de Berimbaudrum, você pode perguntar diretamente ao artista. Chequei com Babilak se ele estaria preparado para responder as perguntas feitas pelos Internautas. Ele respondeu com um entusiástico “Sim”. Tudo o que você precisa fazer é deixar um comentário para este artigo.